quarta-feira, 9 de julho de 2008

É uma vergonha!!!!!!!!


Não tem jeito!!!

A falta de vergonha na cara é tão grande que estarrece qualquer criatura.

Do Cláudio Humberto:

"Custam pouco mais de cem dólares nos Estados Unidos os bafômetros pelos quais a Polícia Rodoviária Federal pagou R$ 6.798,53 cada.

Conhecido por etilômetro, o modelo Alco-sensor IV, igual ao da PRF, pode ser adquirido no site de compras norte-americano Ebay, acompanhado de maleta, impressora e bafômetro, por míseros U$ 152.00 (cotação à 00h15 desta quinta-feira).

Exatamente igual ao modelo adquirido pela PRF. Há outros modelos ainda mais baratos.


Pedro Paulo Bahia, da PRF, tentou explicar o bafômetro 4.400% mais caro:

"O processo de importação é negócio e não filantropia". Ah, bom.

O assessor da PRF disse mais:

"Se em um fim de semana uma máquina [etilômetro] emitir dez multas, ela já se paga".

É a lógica Óleo de Peroba.

“O bafômetro usado pela PRF custou quase R$ 7 mil (ou US$ 4,4 mil) em razão dos impostos de importação", diz o assessor da Polícia Rodoviária."

Apaguem a luz, por favor.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Atenção Enfermagem Catarinense


JUNTE-SE A NÓS PARA IMPEDIR MAIS UM GOLPE NO COREN-SC

Prezadas/os Colegas,

Infelizmente estamos vivendo mais um episódio lamentável do “longo período de trevas” que está mergulhado o CONSELHO FEDERAL e REGIONIAS DE ENFERMAGEM. No último dia 17/06/2008, foi publicado no Jornal Diário Catarinense, o EDITAL 2 com a homologação de apenas uma chapa para concorrer às eleições do COREN-SC. A COMISSÃO ELEITORAL, composta pelas enfermeiras ROZEANA MACIEL VIEIRA, MARIA IOLANDA COLLE KAULING e pelo Enfermeiro IVAN LUIZ CUNHA, nomeada pelo atual presidente, vergonhosamente aprovaram, para concorrer ao pleito, apenas a chapa que tem como integrante o presidente que as nomeou.

Assim, a Chapa PARTICIPAÇÃO, não foi homologada sob alegações parciais e claramente tendenciosas. Além disso, a atual resolução que orienta o processo eleitoral em todo o sistema COFEN-CORENs é o mais perfeito modelo de regulação antidemocrática e de exclusão da participação da categoria. As exigências são extremamente absurdas e quase impeditivas da organização livre de chapas. NÃO há nenhum outro Conselho ou entidade democrática que tenha uma legislação eleitoral como a que está em vigor no COFEN-CORENs.

Leiam todos os documentos em anexo e VENHAM PARTICIPAR DESTE MOVIMENTO PELA MORALIZAÇÃO E DEMOCRATIZAÇÃO DO COFEN E COREN-SC:

- MANIFESTANDO-SE junto os COFEN E COREN-SC, EM DEFESA DE ELEIÇÕES LIVRES E DEMOCRÁTICA EM SANTA CATARINA E EM TODO O BRASIL. Mande e-mail DE PROTESTO no site
http://www.portalcofen.gov.br/2007/faleconosco.asp direcionado ao presidente.

- DIVULGUE AMPLAMENTE ESTE MATERIAL PARA SUA LISTA DE CONTATOS PESSOAL E PROFISSIONAL;

- CONVERSE NO SEU LOCAL DE TRABALHO E AMPLIE ESTE MOVIMENTO.

SUA PARTICIPAÇÃO É FUNDAMENTAL PARA A CONSTRUÇÃO DE NOVOS TEMPOS A ENFERMAGEM NA SOCIEDADE CATARINENSE E BRASILEIRA
!

A águia - Renovação


A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie.

Chega a viver 70 anos.Mas para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão.Aos 40 anos ela está com: As unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar as suas presas das quais se alimenta. O bico alongado e pontiagudo se curva.Apontando contra o peito estão as asas, envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar já é tão difícil!Então, a águia só tem duas alternativas:Morrer Ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias.Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar.Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma parede até conseguir arrancá-lo.Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar suas unhas.Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas.E só após cinco meses sai para o famoso vôo de renovação e para viver então mais 30 anos. Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação.E para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes e outras tradições que nos causaram dor...

Enfim, saber perdoar!Somente livres do peso do passado e com a presença doalívio do perdão , poderemos aproveitar o valioso resultado de uma "RENOVAÇÃO"

A lei não é seca.


Crescem ataques contra a lei que inibe o motorista de beber e dirigir --alguns deles, com razão. Pessoalmente, temo que o excesso de rigor inviabilize sua aplicação. Também tenho dúvidas sobre a legalidade de exigir que alguém se submeta ao bafômetro. Em essência, porém, sou dos que apóiam a dureza contra os irresponsáveis do trânsito. Por isso, fico muito incomodado com o apelido "lei seca" --é um apelido tendencioso, abençoado por nós, jornalistas.
Fico incomodado por dois motivos:
1) Não existe nenhuma proibição à bebida. Mas apenas a se dirigir depois de bebida. É muitíssimo diferente da vivida pelos Estados Unidos. Erro, portanto, conceitual. Não tem nada a ver com aquela maluquice dos americanos.
2) Como aquela lei era, nos EUA, uma maluquice, o apelido lei seca estimula as ações e a desobediência.
Não sou moralista. Gosto de beber e, reconheço, aprecio aquela sensação de leveza que provoca uma dose a mais. Mas não apoiar essa lei é uma irresponsabilidade. Há tempos precisávamos de algo mais duro contra a matança no trânsito --e os comunicadores fazem um julgamento quando sustentam o apelido de lei seca.
Pode parecer um detalhe, mas não é.
Gilberto Dimenstein, 48, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz.

domingo, 6 de julho de 2008

Índice de gravidez até os 15 anos quase dobrou em dez anos.


Um terço das brasileiras têm a primeira relação sexual até os 15 anos de idade. De 1996 a 2006, esse índice triplicou, de acordo com a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde divulgada ontem (03) pelo Ministério da Saúde. As conseqüências desse início precoce da vida sexual se refletem nos números de gravidez. O índice de meninas de 15 anos com filho subiu de 3% para 5,8% entre 1996 e 2006. A idade mediana da mulher na época do nascimento do primeiro filho caiu de 22,4 anos para 21. O levantamento mostrou que a idade para o nascimento do primeiro filho varia de acordo com o grau de instrução da mulher. Aquelas com até três anos de estudo têm o primeiro filho, em média, aos 19. Para as que estudaram 12 anos ou mais, a média sobe para 26 anos. Para o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, há muito o que comemorar, apesar de alguns índices preocupantes. Um deles é o aumento do número de cesáreas – de 36,4% em 1996 para 44% em 2006. Por outro lado, um dado positivo está no crescimento do número de mulheres que fazem pré-natal ao menos seis vezes – 77% das gestantes –, média considerada satisfatória pelo ministério. Acesso a contraceptivos – De acordo com a pesquisa, a distribuição gratuita de métodos contraceptivos aumentou nos últimos dez anos. O percentual de mulheres que recorreram ao SUS para adquirir pílulas subiu de 7, 8% para 21, 3%. O estudo mostra ainda que 66% das jovens entre 15 e 19 anos sexualmente ativas já haviam usado algum método contraceptivo. O preservativo (33%), a pílula (27%) e os injetáveis (5%) foram os mais utilizados.

Cerca de 50 milhões de pessoas a mais passaram fome em 2007.


Cerca de 50 milhões de pessoas aumentaram em 2007 a lista da população que sofre de fome, como resultado da alta dos preços do alimentos, disse ontem o Diretor-Geral da FAO, Jacques Diouf, durante conferência no Parlamento Europeu, em Bruxelas. “Os países pobres estão sentindo o forte impacto da alta dos preços dos alimentos e da energia”, disse Diouf. “Necessitamos com urgência de novas e fortes parcerias para enfrentar o crescimento dos problemas de segurança alimentar nesses países. Nenhuma instituição ou país conseguirá resolver essa crise isoladamente. Países doadores, instituições internacionais, governos dos países desenvolvidos, sociedade civil e o setor privado têm papel importante na luta global contra a fome.” Diouf afirmou que a crise atual é uma combinação do aumento da demanda por produtos agrícolas devido ao crescimento da população e o desenvolvimento econômico nos países emergentes; da rápida expansão dos biocombustíveis; e da oferta insuficiente, devido às mudanças climáticas que afetaram a produção, particularmente secas e inundações, num momento em que os estoques de cereais, cerca de 409 milhões de toneladas, estão no menor nível dos últimos 30 anos. Esses fatores são exacerbados, ainda, por medidas restritivas tomadas por alguns países exportadores para proteger seus consumidores e pela especulação nos mercados futuros. Os altos preços dos insumos agrícolas são grandes obstáculos ao aumento da produção nos países em desenvolvimento. De janeiro de 2007 a abril de 2008, os preços dos fertilizantes em particular subiram muito mais rapidamente do que os preços dos alimentos. Desafios futuros Para reduzir o número de subnutridos no mundo e satisfazer as demandas crescentes, a produção global de alimentos precisa dobrar até 2050. Esse aumento de produção deve ocorrer principalmente nos países em desenvolvimento, onde vivem as populações pobres e famintas, e onde deve acontecer mais de 95% do aumento populacional previsto. Seus agricultores vão precisar de acesso a insumos modernos, instalações para armazenagem e infra-estrutura rural. A agricultura mundial também terá grandes desafios, como o controle da água e das mudanças climáticas. Mais de 1.2 bilhão de pessoas vivem hoje em bacias hidrográficas com absoluta falta de água e a tendência de aumento da escassez de água é preocupante, mas a África Subsaariana está utilizando apenas 4% de seus recursos hídricos renováveis. O mundo também está perdendo cerca de 5 a 10 milhões de hectares de terra agrícola todos os anos devido à grande degradação dos solos, mas na África, América Latina e Ásia Central há um grande potencial para a expansão de terras cultiváveis. “Governos e agricultores também terão que lidar com o fardo das mudanças climáticas na agricultura. Se as temperaturas subirem mais de três graus, plantações de grãos como o milho devem diminuir entre 20 e 40% em partes da África, Ásia e América Latina”, disse Diouf. E ainda, secas e inundações poderão se intensificar e causar grandes perdas de grãos e pecuária. Investindo na agricultura “A situação atual é resultado da negligência de longo tempo da comunidade internacional na agricultura dos países em desenvolvimento”, acrescentou Diouf. “A participação da agricultura na ajuda oficial ao desenvolvimento diminuiu de 17% em 1980 para apenas 3% em 2006. O investimento em pesquisa agrícola nos países em desenvolvimento é menor que 0.6% do seu Produto Interno Bruto, comparado com mais de 5% nos países desenvolvidos.” O aumento da produção agrícola nos países em desenvolvimento só será alcançado com maior investimento público e privado. “A FAO estima que o incremento em investimento público deve ser de cerca de US$24 bilhões todos os anos – isso inclui novos recursos para o manejo de água, estradas rurais, instalações para armazenagem, assim como pesquisa e extensão,” afirmou Diouf. “As promessas de doação feitas recentemente na Cúpula de Alimentação da FAO, de cerca de US$20 bilhões, indicam fortemente que a comunidade internacional está comprometida a agir em apoio às comunidades agrícolas dos países pobres”, acrescentou. Apoiar os agricultores nos países em desenvolvimento, com o fornecimento de sementes e fertilizantes, deve ser uma prioridade no sentido de aumentar a produção agrícola nos países mais pobres. A produção de cereais nos países de baixa renda e com deficiência alimentar, com exceção da China e da Índia, diminuiu 2.2% em 2007, particularmente na África, e deve baixar ainda mais em 2008, já que os agricultores pobres não estão conseguindo pagar por insumos adequados com preços cada vez mais elevados. “A FAO está atualmente envolvida em 35 países, apoiando a produção de alimentos com o fornecimento de sementes melhoradas, fertilizantes e outros insumos agrícolas essenciais para a temporada de plantio de verão e espera trabalhar em muitos outros países nas próximas semanas”, afirmou Diouf. A FAO aprovou recentemente projetos em seu Programa de Cooperação Técnica num total de US$23,7 milhões para iniciar o apoio à produção em 54 países pobres. Diouf afirmou ainda que também deveria ser dada prioridade ao apoio financeiro aos países com deficiência alimentar, cujas contas de importação de alimentos subiram cerca de 37% em 2007 e devem aumentar mais 56% em 2008. São hoje quatro vezes maiores do que em 2000. “Em médio e longo prazos, o foco deverá ser no aumento de investimento na agricultura, tanto público como privado, para melhorar as infra-estruturas rurais e permitir que pequenos produtores se beneficiem das oportunidades de mercado. Medidas que devem ser acompanhados por um reforço da capacidade institucional para assegurar a sustentabilidade do desenvolvimento agrícola”, salientou Diouf. Fonte: Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO – Brasil)

sábado, 5 de julho de 2008

Saúde de 10% das brasileiras é deficiente por falta de escolaridade.


O problema de saúde de uma parcela considerável das mulheres brasileiras é simplesmente a falta de educação. A 3ª Pesquisa Nacional de Demografia em Saúde (PNDS), apresentada ontem em Brasília, mostra que 10% das mulheres brasileiras - cerca de 10 milhões de pessoas - têm dificuldades de cuidar de si e de seus filhos e até mesmo ter acesso às políticas públicas de saúde porque não têm escolaridade básica. E o próprio governo não sabe como chegar até esse grupo, que não consegue ler nem sequer uma cartilha educativa ou, muitas vezes, não entende o que o médico do posto de saúde está tentando explicar. O estudo, feito pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) com o apoio do Ministério da Saúde, traz, de um modo geral, boas notícias. Entre 1996, quando a PNDS anterior foi feita, e esta última com dados de 2006, a mortalidade infantil caiu 44%. Apenas 3,6% das mulheres não têm acesso a consultas pré-natal, e a desnutrição aguda das crianças está em 1,6%, abaixo do limite de referência da Organização Mundial da Saúde (OMS). Há mais mulheres com acesso a métodos anticoncepcionais e medicamentos, além de tratamento em hospitais. No entanto, o grupo daquelas que não conseguiram se beneficiar do maior acesso à escola, ampliado na última década, também ficou de fora dos grandes avanços da saúde brasileira. Com isso, transmitem os problemas para seus filhos. A pesquisa mostra que, apesar da redução na mortalidade infantil no País, 20% dos filhos nascidos vivos de mulheres sem estudo morrem antes de completar um ano. Na faixa superior de escolaridade, com 12 anos ou mais de estudo, a mortalidade dos bebês é praticamente zero. Até mesmo o direito de escolher ter esses filhos é mais difícil para as mulheres com menor escolaridade, basta ver as diferenças nas taxas de fecundidade. Enquanto aquelas com mais estudo têm, em média, um filho - inferior até mesmo à taxa de reposição da população, que é de dois filhos - mulheres que nunca freqüentaram a escola têm, em média, 4,2 filhos. Ainda uma parte não desprezível dos filhos dessas mulheres (16,6%) sofre de desnutrição crônica, um problema que não mata, mas afeta o desenvolvimento da criança, sua capacidade de aprender e de reagir a doenças. A resposta oficial a esses dados é que a educação no País está evoluindo e, em alguns anos, o número de mulheres sem escolaridade deve ser reduzido a ponto de não ter impacto no geral. Em 1996, eram 28% da população. Hoje, são 10%. "Vários estudos relacionam o aumento da escolaridade e o conseqüente aumento da renda com um impacto direto nas condições de saúde. Está havendo uma ampliação da escolaridade, e isso tem impacto direto na saúde", disse o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Até lá, no entanto, o equivalente a 10 milhões de mulheres e seus muitos filhos continuam a enfrentar dificuldades típicas da pobreza e da falta de instrução. "Todo setor tem que pensar nas suas responsabilidades. As políticas públicas de saúde têm que pensar como chegar a essas mulheres. Não pode ficar pensando que outro setor, outra ação vai resolver o problema. Não podemos esperar que a educação chegue até elas e aí que as coisas se resolvam", critica Suzana Cavenaghi, demógrafa e uma das autoras da PNDS. Alimentação A falta de estudo leva à falta de renda e também à insegurança alimentar. Apesar dos avanços, já que 62,5% das famílias podem ser consideradas em situação de segurança (em que não há preocupação com a possível falta de comida), em 46% dos domicílios em que a mulher não tem estudo há insegurança alimentar. Outros dados Anticoncepcional: 99,9% das mulheres brasileiras conhecem algum método anticoncepcional e 67,8% fazem uso deles. No entanto, 77,8 % disseram nunca ter usado camisinha População: o número absoluto de crianças até 9 anos no País caiu entre 1996 e 2006. Hoje, elas representam 16,5% da população. Do outro lado, 1,5% dos brasileiros já tem mais de 80 anos Desnutrição infantil: a crônica caiu pela metade entre 1996 e 2006 e está hoje em 6,8% dos menores de 5 anos. Os fatores principais para essa queda foram o aumento da escolaridade das mães e da renda familiar Obesidade infantil: há no Brasil quase tantas crianças acima do peso quanto com desnutrição. Elas representam 6,6% das menores de 5 anos. Esse porcentual aumenta quando crescem os anos de estudo da mãe Cesarianas: as cesáreas aumentaram de 36% em 1996 para 44% em 2006, indo na contramão da política do Ministério da Saúde. Nas áreas rurais, o índice de cesáreas passou de 20% para 35%. No sistema privado, elas já representam 77% dos partos Pré-natal: 61% das mulheres brasileiras hoje fazem mais de sete consultas pré-natal. No entanto, os procedimentos não são completos. Apenas 31% delas recebem as vacinas antitetânicas necessárias para uma gravidez e parto seguros Amamentação: em média, as crianças brasileiras são amamentadas exclusivamente com leite materno por 2,2 meses, contra os seis recomendados pelo Ministério da Saúde.
Fonte: jornal O Estado de S. Paulo, editoria Vida &, edição de 04/07/08

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Transferir responsabilidade não é solução

Brasília, 02 de julho de 2008.

O Sistema Único de Saúde (SUS) foi pensado e construído por profissionais e movimentos populares da saúde para funcionar em rede, descentralizado, com atendimento desde um curativo a cirurgias de alto custo, da prevenção e controle de endemias ao acompanhamento porta a porta, em especial nas regiões de difícil acesso.

Mesmo sendo referência internacional, o SUS tem sofrido muitos ataques, principalmente daqueles que vêem na saúde pública mais um nicho de negócio lucrativo. É o caso do estado de São Paulo que há mais de 10 anos vem transferindo a gestão da saúde pública para entidades privadas, inclusive sem licitação, cadastradas como Organizações Sociais da Saúde (OSS), em prejuízo dos usuários que continuam em filas de espera para atendimento, conseqüência do sucateamento do setor público e das restrições do setor privado.

A principal justificativa dos que defendem a terceirização é a agilidade na compra de material e contratação de pessoal, burlando o que chamam de burocracia. Não entrando no mérito da questão, a legislação existe para coibir o mau uso do dinheiro público. Pode e deve ser aperfeiçoada.

Também se alega que com a terceirização o custo diminui. Será?

Os custos das OSS vêm crescendo ano a ano, mostrando que o problema não é o setor público mas da gestão. Os hospitais e serviços gerenciados por OSS decidem de forma independente o tipo e o número de atendimento prestado, ficando a população à mercê da oferta de vagas que essas entidades disponibilizam.

Em relatório da Comissão de Acompanhamento das Organizações Sociais em São Paulo de 2003 já se apontava a redução nos atendimentos de urgência e a lógica da gestão privada – a manutenção do equilíbrio financeiro. Desde 2005 jornais destacam a disparidade nos preços de um mesmo medicamento comprado pelas diversas OSS, chegando a variar em até 64%.

Em 2007, virou manchete a crise do INCOR. A Fundação Zerbini, entidade privada que administra o hospital, acumulou uma dívida de R$ 246 milhões, colocando em risco uma referência em cardiologia, construído e mantido com dinheiro público. Como solução, o governador José Serra restringiu a atuação da Fundação e assumiu a dívida, ou seja, dinheiro público financiando a má gestão privada.

Hoje, a terceirização vem sendo questionada também na justiça.

A terceirização do Hospital Luzia de Pinho Melo, de Mogi das Cruzes, é um exemplo. O Ministério Público do Trabalho ingressou com uma ação civil pública para anular o processo. Entre as argumentações estão violação da Constituição, que determina que nenhum servidor pode ser contratado sem concurso público; a quarteirização de serviços para uma entidade privada ligada à OSS gestora; irregularidades no pagamento de direitos trabalhistas.

Também está sob investigação o repasse de serviços laboratoriais de unidades da rede pública estadual de saúde para a iniciativa privada. A gestão dos serviços está sendo transferida para OSS que por sua vez quarteiriza os exames laboratoriais para empresas privadas.

Um dos tripés do Sistema Único de Saúde – o controle social – não é respeitado no estado. O Conselho Nacional de Saúde se posicionou contra as OSS e a terceirização da saúde. Essa deliberação também foi tomada pelo Conselho Estadual de Saúde. A participação e a fiscalização da sociedade na administração pública garantem a boa gestão. Mas precisa haver transparência no uso desse dinheiro. Isso não acontece na gestão das OSS.

Podemos alcançar uma saúde pública com qualidade. O SUS e suas várias instâncias deliberativas estudam, debatem e definem as diretrizes para serem implementadas nos âmbitos federal, estadual e municipal.

Hoje o SUS funciona ao custo de R$ 1,00 por pessoa e atende muita gente. Se investirmos mais, com certeza, chegaremos a uma saúde pública universal, integral e equânime para todos, promovendo o desenvolvimento sustentável do país que todos almejam. Não é necessário desmontar a rede de saúde pública, nem assistir epidemias e perdas de vida.

Dos hospitais que prestam serviços ao SUS em São Paulo 68% são privados. Portanto, se a gestão privada funcionasse melhor o atendimento hospitalar não teria os problemas que tem hoje. Tratar a saúde como negócio é ideológico e as vidas perdidas é falência na certa.

Francisco Batista Junior, Presidente do Conselho Nacional de Saúde.
Matéria publicada na Folha de São Paulo, em 28 de junho de 2008.

Direito Penal que criminaliza aborto não serve à sociedade


Medida ilegal
por Beatriz Vargas Ramos
É impressionante a notícia de que, no Mato Grosso do Sul, nove mil, oitocentas e oitenta e seis fichas médicas, apreendidas pela polícia numa clínica em Campo Grande, podem gerar a acusação formal de pelo menos duas mil e oitocentas mulheres por crime de aborto. Os procedimentos teriam sido realizados entre 1999 e 2007. Médica e empregados da clínica, segundo a imprensa, respondem a processo instaurado por denúncia de abril do ano passado. Há notícia de que vinte e cinco mulheres já estão cumprindo pena. Fala-se em “força-tarefa”, “processos conjuntos”, “audiências coletivas”, tudo no interesse da celeridade dos julgamentos, para evitar a prescrição e a impunidade.
Quase três mil mulheres em um só inquérito policial (isso para não falar da própria médica que, sozinha, seria responsável pela soma de todos os casos)! Ora, nada demais... Em tempos de globalização e do deus mercado, a máquina punitiva deve exibir capacidade produtiva, eficiência de resultados. É a Justiça penal no “atacado”!
Para se ter uma idéia do que representa essa formidável persecução, basta lembrar que a população feminina encarcerada em todo o país está em torno de 25 mil, segundo informações divulgadas em 2007. Deste total, 30,2%, ou seja, algo em torno de 9 mil mulheres, por tráfico de drogas (dados do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias — Infopen, do Ministério da Justiça). Um procedimento dessa proporção — 2,8 mil é número correspondente a 11,2% do número total de presas no Brasil — só pode ter grandes pretensões. É, sem dúvida, o “superdireito penal” em ação! Virtuoso, intolerante com o crime e que promete salvar a sociedade do aborto — já se sabe que o exemplo da “superdiligência” de Campo Grande inspirou outras investidas policiais em clínicas “suspeitas” de diversos lugares do país.
O caso chama atenção por outros aspectos de importância para o debate público sobre o assunto. Destaca-se o castigo aplicado às mulheres: a pena substitutiva de prestação de serviços comunitários será cumprida em creches e escolas, para que as condenadas estabeleçam “contato rotineiro” com crianças de várias idades. O juiz afirma que a escolha não é arbitrária, porque representa uma oportunidade de “reflexão sobre a maternidade”. A pena, de inspiração didático-correcional, é, numa palavra, cruel, pela simples razão de que está apta a potencializar o sofrimento emocional da mulher que acaba de passar pela experiência do aborto.
No contexto do proibicionismo mais rotundo, em que qualquer possibilidade de diálogo está fechada a priori, pela definição vertical do objeto como “o mal a ser evitado”, a completa ausência de aconselhamento antes do ato é substituída pela tortura psicológica depois de sua consumação. Tortura que tem como alvo a mulher, pouco importando o fato de que a decisão pelo aborto tenha sido, eventualmente, tomada por um hipotético casal. Será que o não indiciamento de homens é um dado relevante ou será que nenhuma daquelas “crianças não nascidas” teria pai?! Convém esclarecer que, com isso, não se está sustentando que a punição deve ser ampliada.
O que se quer é realçar um aspecto comum à generalidade dos casos de apenação por aborto, qual seja, o desinteresse, por parte do sistema penal, pela busca e identificação de “culpados” do sexo masculino. Aqui, a censura, relacionada à moral sexual, é desigualmente distribuída. Dirige-se à mulher, como reforço de seu papel social como mãe e, ao mesmo tempo, como reafirmação da liberdade sexual do homem. Uma mulher solitária algemada a um leito de hospital é a cena que melhor representa o conceito profundamente enraizado na cultura proibicionista do aborto. Nesse terreno tão propício à fecundação de outras sementes humanas, como as da misoginia, do moralismo e do preconceito, punível é o gênero.
É fato que o espetáculo de “eficiência criminal” produz um volume de acusações capaz de abarrotar, ou paralisar, a 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, mas quando se sabe que a projeção do número nacional de abortos clandestinos, por ano, está na casa dos milhões, tem-se que reconhecer – desde que se queira renunciar às últimas conseqüências do absurdo – o erro de tratar o assunto como caso de polícia. Nesta situação, convocar a pena criminal é, por um lado, ignorar a questão de fundo, fechar o debate e fazer vistas grossas à realidade social. Por outro lado, é desmoralizar o Direito Penal, expondo a Justiça ao ridículo. Ações dessa natureza são retóricas, simbólicas, propagandísticas. Prestam-se à promoção do espetáculo, mas não são sérias.
Um Direito Penal assim não serve à sociedade, não tem utilidade, por duas razões básicas: primeira, não é capaz de cumprir a promessa de prender e castigar pelo crime de aborto na proporção em que a ação descrita no tipo penal é praticada — está desacreditado; segunda, se a promessa for cumprida, implanta-se o regime da violência –—neste caso, não há mais Direito Penal, está deslegitimado. Às vezes, o absurdo revela mais que o argumento equilibrado, despido de paixões e moralismos: a sociedade aceita as conseqüências de um “superdireito penal”?
A expectativa social a respeito do aborto é o encarceramento — ou qualquer outro modo mais criativo de castigo — para multidões de mulheres? Impor a pena criminal a uma população de milhões só vai demonstrar que a criminalização não tem respaldo, a não ser numa certa “moral oficial”.
Há consenso de que a vida humana deve ser protegida, mas nem todos concordam que a decisão pelo aborto seja o mesmo que a decisão pelo assassinato de uma criança indefesa. Ser “contra” o aborto não é, necessariamente, ser “a favor” de sua definição legal como delito. O exercício do Poder Legislativo de seleção de condutas que deverão constituir crime não se confunde com o poder de impor convicções éticas, religiosas ou morais. Se o princípio da legalidade não se satisfaz com a mera obediência de ordem formal, é inegável a existência de um conteúdo normativo que necessita de aprovação social como condição de legitimidade do Direito. Não é legítimo um direito que contraria a realidade social dos fatos e se mostra incapaz de afetar o resultado a que se propõe impedir.
Ao proibicionismo não se pode atribuir eficácia no sentido da redução do aborto. É, isto sim, responsável, em parte, pelo aumento do índice de criminalidade e, sobretudo, pela morte de mulheres pobres que não podem pagar por serviços médicos particulares (é a terceira causa de mortalidade entre a população feminina).
Quando a incriminação de um comportamento deixa de corresponder à opinião de uma grande massa de cidadãos, desaparece a justificativa democrática para manutenção da lei. Se, por hipótese, ainda que absurda, o cumprimento geral do preceito penal fosse possível, por qualquer razão, poder-se-ia falar em mais justiça para todos os envolvidos? Os efeitos de um suposto acatamento absoluto à lei penal seriam positivos em todos os casos? Haveria apenas uma minoria prejudicada?
Por incrível que possa parecer aos mais desavisados, a legalização do aborto é o primeiro passo no sentido da redução de sua incidência e pode contribuir para com a melhoria das condições de saúde de mulheres e crianças brasileiras. O problema só pode ser visto em sua verdadeira dimensão se o rótulo criminal for retirado e a mulher puder falar de seu lugar próprio, fora das quatro paredes de uma sala de interrogatório.
Revista Consultor Jurídico, 4 de julho de 2008

Ilusões do amanhã


Por que eu vivo procurando um motivo de viver,
Se a vida às vezes parece de mim esquecer?
Procuro em todas, mas todas não são você.
Eu quero apenas viver, se não for para mim, que seja pra você.
Mas às vezes você parece me ignorar,
Sem nem ao menos me olhar,
Me machucando pra valer.

Atrás dos meus sonhos eu vou correr.
Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder.
Se a vida dá presente pra cada um, o meu, cadê?
Será que esse mundo tem jeito?
Esse mundo cheio de preconceito.

Quando estou só, preso na minha solidão,
Juntando pedaços de mim que caíam ao chão,
Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou.

Talvez eu seja um tolo, que acredita num sonho.
Na procura de te esquecer, eu fiz brotar a flor.
Para carregar junto ao peito,
E crer que esse mundo ainda tem jeito.

E como príncipe sonhador...
Sou um tolo que acredita, ainda, no amor.

PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos - APAE)
Este poema foi escrito por um aluno da APAE, chamado, pela sociedade, de excepcional. Excepcional é a sua sensibilidade! Ele tem 28 anos, com idade mental de 15 e peço que divulguem para prestigiá-lo. Se uma pessoa assim acredita tanto no amor, porque as que se dizem normais não acreditam?