sexta-feira, 19 de outubro de 2012

PSOL LANÇA NOTA CONTRA A CAMPANHA DE KENNEDY

 
Clima vai radicalizando na campanha de segundo turno em Joinville. O tom nas propagandas eleitorais começa a mudar, embora não se possa dizer que o nível de baixaria mostrados no final do primeiro turno esteja de volta… Ainda não. Também se nota que cada vez mais e mais políticos vão se posicionando a favor de Kennedy Nunes ou Udo Dohler. Já quem assumidamente se colocou como “neutro” e pregou o voto nulo, caso de Camasão e o PSOL, ontem, lançaram nota pública para criticar a forma como a campanha de Kennedy Nunes vem agindo em sua propaganda.
A nota oficial do PSOL é a seguinte:
O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) vem, por meio desta, esclarecer à sociedade joinvilense sobre a utilização de logomarcas do nosso partido, assim como a menções explícitas no horário eleitoral, na campanha de Kennedy Nunes (PSD) à Prefeitura de Joinville.
Por meio das redes sociais, chegaram-nos registros fotográficos de que a campanha de Kennedy Nunes produziu pelo menos 200 adesivos perfurados, que estão sendo utilizados em veículos, com os dizeres “Votei 50. Agora voto 55″. Além de se apropriar sem autorização de uma logotipo do PSOL com o número 50, utilizada na campanha municipal de Florianópolis, a campanha do candidato tenta, indevida e irresponsávelmente, associar a sua imagem à do PSOL.
Portanto, o PSOL esclarece à sociedade
1. Conforme declaramos em 11 de outubro, o PSOL indica o voto nulo neste segundo turno aos seus filiados, por entender que nenhum dos dois candidatos representa um projeto que vá de acordo com o interesse da maiora da população joinvilense.
2. Não autorizamos e repudiamos a utilização de logotipos do PSOL na campanha de Kennedy Nunes. Para nós do PSOL, este tipo de prática revela uma ação de tremendo mau caratismo por parte da campanha do PSD.
3. Procuraremos a via judicial, se necessário, para que todo o material de propaganda que vincule o PSOL ao PSD seja recolhido das ruas e tenha sua utilização vetada pela Justiça Eleitoral.
Joinville, 18 de outubro de 2012
Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) Joinville

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A decisão do PT no segundo turno!!

 
POR JOSÉ ANTÓNIO BAÇO
O PT decidiu sobre a posição para o segundo turno. E como perfeita mulher de malandro, que gosta de apanhar (passe o machismo da expressão), optou por apoiar Kennedy Nunes. Ah... os petistas tiveram uma súbita amnésia, mas dou uma força: Kennedy Nunes é aquele cara que passou quatro anos a detonar Carlito Merss.
Mas nem há surpresa na decisão, porque o resultado já era esperado. O PT de Joinville não se decidiu por um apoio. Decidiu, isso sim, por uma rendição incondicional à tetodependência. Teto o quê? Sim... tetodependência. É a dependência que as pessoas têm dos cargos públicos. Ou vai dizer que o apoio a Kennedy Nunes tem a ver com ideias e projetos?
Leio a seguinte declaração de Eduardo Dalbosco no AN. Aliás, leio e fico arrepiado. “O governo do PMDB não teria espaço para nós. Num governo Kennedy, teríamos o espaço em aberto, em disputa. É um compromisso para que a gente não jogue fora o trabalho que fizemos nos últimos quatro anos”.
Ei, Eduardo Dalbosco, você não se esqueceu da terceira opção? Sim, aquela em que o PT permanecia fiel aos princípios que sempre defendeu. Ou seja, saía de cena com a cabeça erguida e começava um trabalho sério para ganhar as próximas eleições. E evitava essa coligação oportunista que joga o nome do partido na lama.
O chato é que o pessoal nem se preocupa em disfarçar. É tudo uma questão de “espaço” na administração pública. Parece que só não há espaço para a dignidade política e o respeito pelas ideias de esquerda. É puro fisiologismo. É puro interesse em manter uns carguinhos para a rapaziada. É a prova de que os caras já não conseguem viver sem a teta. Ah... maldita dependência.
É triste. O fato é que a tetodependência funciona como as drogas pesadas: o sujeito experimenta a teta pública, o corpo se habitua, a mente sucumbe... e aí já não tem como largar. Para sustentar o vício, perde a dignidade, engole sapos e, em casos como este, até é capaz de se prostituir. Para o viciado, vale tudo por um empreguinho público.
O fato é que os resultados da decisão do partido foram esclarecedores: 24 votos pela coligação com Kennedy, nove a favor do voto nulo e três pela liberação dos militantes. Aliás, não sei quem são esses três, mas imagino que devam ser remanescentes de um tempo em que o PT de Joinville era feito com ideias e ideais. Outros tempos.
Sem querer ser catastrofista, vou fazer o meu prognóstico: se Kennedy Nunes for eleito vai dar uma grandiosa merda. Já imaginaram os times de Kennedy Nunes, Marco Tebaldi e Carlito Merss tentando disputar a sombra de um mesmo guarda-chuva? Virgi... muito mais seguro dormir num ninho de cobras.
Ah... e para quem acha que a coisa não podia piorar para o PT de Joinville, pelo que vejo nas redes sociais o partido acaba de dar uma tremenda queimada no filme com os eleitores. Ninguém defende. Para terminar, vou usar o comentário da jornalista Shirlei Paterno que li no Facebook: “Já vi muita coisa nojenta em política, agora essa do PT joinvilense apoiar o Kennedy foi a pior de todas!”


P.S.: Fui informado, no início da tarde, que foram quatro votos pela liberação: três sindicalistas e um da Juventude. Menos mal, mas ainda muito mal.

Tânia critica propaganda de Kennedy Nunes

  Clique em   Tânia critica propaganda de Kennedy Nunes e veja algumas inverdades que vem sendo divulgadas nessa eleição para prefeito de Joinville.....!!

Comissões de Ética em Enfermagem


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ENFERMAGEM QUER 30 HORAS


Escrito por Marcos de Oliveira. CVJ - Notícias
 

Lideradas pela presidente do Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina - Coren, Felipa Amadigi, um grupo de profissionais da categoria foram recepcionadas pelo presidente da Câmara de Vereadores de Joinville (CVJ), vereador Odir Nunes, na tarde de ontem. Elas solicitaram o apoio do legislativo joinvilense, através de Nunes, para a luta pela aprovação da regulamentação de 30 horas semanais para toda a categoria no país.
“O Projeto de Lei nº 2.295/2000 aguarda para entrar na pauta de votação em plenário na Câmara Federal (CF) e todas as manifestações favoráveis de importantes para a sua aprovação”, manifestou Felipa Amadigi. Elas revelaram que em Joinville são três mil enfermeiros, técnicos e auxiliares que integram a categoria, no Estado de Santa Catarina são 45 mil e no Brasil eles somam 1,8 milhão. Vale lembrar que, os profissionais de enfermagem representam 60% dos trabalhadores de saúde em todo o país.
O parlamentar garantiu que remeterá uma moção, assinada pelo 19 vereadores de Joinville, para o presidente da CF, deputado Marco Maia sugerindo o seu empenho pela aprovação do projeto, e outra para ao prefeito Carlito Merss sugerindo a implantação da carga horária aos profissionais de enfermagem joinvilenses. “Justifica-se o município aprovar e implantar projetos locais por que em Balneário Camboriú o prefeito acatou e a categoria já goza o benefício”, relataram as enfermeiras.
Exposição: As profissionais de saúde para convidar os parlamentares para visitar a exposição fotográfica “Enfermagem: De Cuidado a Gente Entende”, que é uma mostra itinerante que inicia nesta terça-feira, dia 15, na Galeria de Artes Matilde Amim Ghanen, no hall de entrada da Câmara de Vereadores de Joinville, até o dia 26 de outubro, das 13 às 19 horas (entrada grátis).
Na oportunidade Nunes aproveitou para entregar à secretária de Saúde de Joinville, Antônia Grigol e à presidente do Coren um exemplar do livro que resgata os 160 anos de história da Câmara joinvilense: Da Comuna Aos Tempos Atuais. A História do Legislativo de Joinville.
Foto de Sabrina Seibel

terça-feira, 16 de outubro de 2012

PT de Joinville: do auge ao abismo em quatro anos.

Salvador Neto, Jornalista.

Nunca antes na história deste país se fez algo parecido. Lutar durante três décadas para chegar ao poder, e em apenas quatro anos, desabar abismo abaixo. Sim, falo do PT joinvilense, único, da gema, que conseguiu a proeza de conquistar a Prefeitura após várias tentativas, e em apenas um mandato, rasgar a sua estrela relegando milhares de militantes à desgraça (fala deles, não minha, ok?) do apoio fechado e anunciado à Kennedy Nunes, ex-PMDB, ex-PFL, ex-PP, e agora por enquanto do PSD.

Carlito Merss preparou-se durante anos para o momento de assumir o comando da maior cidade catarinense. Ocupou espaços preciosos na Câmara de Vereadores, Assembleia Legislativa, Câmara dos Deputados, atuou com desenvoltura no governo Lula. Ao chegar ao governo em 2009 levou consigo a esperança de tempos diferentes na velha, conservadora e dependente Joinville. Mas aí começa a derrocada. Erros sobre erros de gestão, da comunicação (essa então, mereceria capítulo à parte!), de habilidade política.
Seu grupo de apoio, conhecido como o núcleo “duro”, hoje sabe-se que não tao duro assim ao ponto de capitular para o algoz do governo petista, passou a exigir currículos de companheiros. A enxergar um espião em cada cargo aliado. A calcular números de dívidas que jamais se confirmaram. A virar as costas para amigos, simpatizantes, companheiros de partido. Até conseguirem perder aliados como o PMDB em primeiro lugar, PR mais à frente com a divisão entre grupos, e finalmente com o PDT.
A incompetência na gestão política, e a péssima comunicação institucional do governo, e a falta da mesma comunicação para proteger a sua estrela maior, Carlito Merss, selaram a receita infalível para a derrocada final, que veio com o pedido, aceito, da cassação da candidatura petista por erro crasso de gestão do orçamento em ano eleitoral. A partir daí começam a procurar os culpados. Estariam eles na mídia? Ou talvez nos outros partidos? Ou mesmo no povo, que não compreende nada? Não conseguem enxergar o óbvio.
Se há culpados dessa derrocada histórica para o PT (olhem que Lula e Dilma estão aí para mostrar como se faz…), são os mesmos que rodeiam o atual Prefeito, que agora lastimavelmente se mostra mais uma vez fraco diante do tal “núcleo duro”, agora envolto com fisiologismos de toda ordem, sob o manto de “continuidade” do governo, etc, e tal. Ora bolas gente, o povo negou essa continuidade! O povo negou ficha suja para o comando da Prefeitura! O povo quer algo diferente, mesmo que agora a escolha em segundo turno seja muito dura. Difícil. Imprevisível.
Ao povo joinvilense agora, o que se pede é atenção, muita atenção. Não há nada novo no segundo turno, é verdade, o não é? Kennedy Nunes é o novo velho na política. Vive dela há mais de 20 anos! Udo é o velho novo que busca um lugar na história da cidade onde nasceu. Um político carreirista, carismático, adepto à demagogia, com base no eleitorado suscetível à religiosidade. Outro, empresário com fama de durão, gestor, sem carisma, com um eleitorado forjado à imagem e semelhança do PMDB e seu comandante máximo LHS, e em sua primeira eleição. Vejam o quanto é difícil a decisão no dia 28 de outubro. Mas vote, vote pelo melhor.
E ao PT, o que sobra? Na modesta opinião deste jornalista que atua e cobre política há 20 anos, é preciso renovar radicalmente a condução do partido. Para retirar a estrela do abismo, amassada, rasgada e espicaçada pelo tombo, é preciso mais que lideranças do arco A, ou B. Será preciso um momento com caras novas, com vontade de reconstruir e fazer partido, como no início desse partido popular. Para isso, talvez seja preciso mais uma derrota. Os militantes dos bairros irão dizer se querem salvar sua estrela para defender Dilma em 2014, ou atirá-la nos braços dos mesmos, sob a tutela de outros.
Ah, e antes que me atirem pedras por todos os lados e redes sociais: ouçam com carinho o que as urnas disseram. Elas são extremamente sábias.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Visite a Exposição da Enfermagem em Joinville.




 
 

Um remédio para matar ou salvar o SUS?


Um remédio para matar ou salvar o SUS?
Em artigo, Sonia Fleury fala sobre recente entrevista do sociólogo e historiador Richard Sennet, que apontou a tendência atual de adoção de um modelo em que as organizações já não empregam trabalhadores, mas compram trabalho. O mesmo estaria se passando com o Estado. Segundo Sonia, há um processo de redução progressiva do papel do Estado a financiador e comprador, o que pode significar o decreto da morte progressiva do SUS.
Por Sonia Fleury, no Le Monde diplomatique Brasil
Será possível pensar um Estado sem funcionários, carreiras, saberes e instituições próprias que sejam a materialização do interesse público em áreas que até mesmo a Constituição define como de relevância pública, como a saúde? Para alguns gestores governamentais, a resposta afirmativa a essas questões fundamenta-se em algumas premissas: a) a perene convivência entre público e privado na saúde; b) o aperfeiçoamento dessas relações por meio de mecanismos contratuais; c) a inexorabilidade da integração entre público e privado em um sistema nacional de saúde.
A primeira premissa tende a confundir a existência pioneira das organizações filantrópicas, hoje integradas como prestadoras do Sistema Único de Saúde (SUS), com a recente emergência do setor empresarial de serviços de saúde. A criação do mercado de saúde no Brasil não se deu de forma espontânea, sendo resultante da política dos governos militares ao subsidiarem o financiamento da construção da rede privada, garantindo sua expansão por meio de contratos com o setor público, em detrimento da rede pública existente. A naturalização da relação público-privada nos serviços de saúde procura obscurecer o caráter político da construção desse mercado, do qual o SUS se tornou prisioneiro.
A segunda premissa sustenta-se na inevitabilidade da convivência e nas vantagens da redução do Estado, delegando a prestação a um ente privado, com mais agilidade no trato do pessoal e liberdade para compras e investimentos sem licitações. Ou seja, de um só golpe livra-se do entulho democrático, criado para proteção dos servidores e da administração pública – do Regime Jurídico Único (RJU) à Lei n. 8.666 – evitando, de quebra, os controles internos, externos e sociais. Todos esses instrumentos, considerados imprescindíveis para fazer valer a primazia do interesse público sobre o privado, deixam de importar quando se parte da falácia da indistinção entre os dois.
As parcerias público-privadas (PPPs) em saúde seriam mais um passo nessa trajetória rumo à consolidação das relações do setor privado no interior do SUS. Em sua modalidade mais completa, implicam a construção e o equipamento das unidades hospitalares pelo setor privado e posterior contratação de seus serviços pelo governo. Isso só se tornou realidade com a primeira PPP hospitalar do Hospital do Subúrbio, estabelecida pelo governo do PT da Bahia, sendo, porém, uma tendência em expansão, com editais abertos em Minas, São Paulo e Rio.
Antes, predominou o modelo paulista, no qual o governo provê a unidade de serviço e contrata uma entidade gestora (Organização Social de Saúde − OSS). Nesse caso, houve preocupação de exigir experiência de no mínimo cinco anos na administração dos serviços próprios de saúde e aprovação do contrato pelo Conselho Estadual de Saúde. Já no Rio de Janeiro nem mesmo essas precauções foram tomadas, o que permitiu a confluência perversa entre os interesses do Estado em busca da redução de encargos e a necessidade de captação de recursos públicos por parte de organizações sociais. Assim, instituições vistas como bastiões na defesa do interesse público passam a ser gestoras privadas de serviços públicos terceirizados, como o Viva Rio, ou a intermediar contratos terceirizados, como a Fiotec.
O pragmatismo envolto em interesse público não consegue acobertar o comprometimento dessas instituições com interesses particulares. Já a nova modalidade inaugurada com a primeira PPP vai além da terceirização, ao prever a construção do hospital pela iniciativa privada e sua contratação pelo governo com base em metas de remuneração por produção e qualitativas. Essa parece ser a nova tendência que se consolida e amplifica os problemas já existentes na relação de parceria em saúde.
Quais seriam esses problemas? Muitos deles já fazem parte de nossa experiência na relação com o setor privado e outros podem ser deduzidos da experiência internacional das PPPs em saúde, que conseguiram abalar até as sólidas bases financeiras do sistema de saúde inglês, sem aumentar a equidade ou a eficiência.
Diferenciações ocorrem nas modalidades de contrato e remuneração de profissionais, atuando, às vezes, na mesma unidade com diferentes vínculos, gerando uma subversão de hierarquias e da lógica do planejamento. Os pacientes do SUS tendem a ser discriminados em unidades privadas, em função do valor da tabela de pagamento do Sistema − situação que se pretende perpetuar por meio da reserva legal de leitos hospitalares para convênios, prevista em São Paulo.
O financiamento público a unidades privadas tem aumentado sistematicamente, justificado pelos aportes de conhecimentos que elas trarão ao sistema público. No entanto, ao não investirem na rede pública, esses recursos podem estar aumentando sua defasagem em relação à rede privada, situação até agora não avaliada. A defesa das parcerias enfatiza a definição de metas, flexibilidade e eficiência como principais argumentos em favor da execução das ações pelo setor privado. Por meio de um contrato transparente, as PPPs aumentarão a capacidade estatal de fazer uma gestão mais flexível, reduzir a politização e os custos, monitorar metas e qualidade. No entanto, a experiência internacional nos ensina que o resultado pode ser o oposto do desejado.
Os principais problemas apontados na literatura internacional são:
Processos de precificação em saúde são extremamente complexos, visto ser um dos setores mais dinâmicos em incorporação tecnológica. Contratos longos, de 25 anos, tendem a fracassar na estimativa de preços, sendo o prejuízo assumido ou pelo governo, com maior ônus financeiro, ou pelo paciente, quando o provedor reduz a qualidade.
A atenção em hospitais públicos no Reino Unido custou menos que em Hospitais PFI (PPP). O impacto das PPPs sobre as desigualdades em saúde foi nulo. O gasto público com saúde aumentou em vez de reduzir.
A politização ocorre na medida em que o governo atual se beneficia da inauguração de unidades de serviços, cujos custos serão amortizados nas décadas seguintes. Agências internacionais patrocinaram as PPPs, inclusive com a exclusão dos contratos de leasingdo cálculo da dívida pública.
Na crise europeia, os contratos com as PPPs mostraram-se inflexíveis, acarretando um ônus maior para cortes em outros setores da administração pública. Usuários e especialistas reclamam que a transparência legalmente assegurada no setor público não se aplica aos contratos das PPPs, que justificam ser segredo parte do negócio privado.
Por fim, a alegação maior de que as PPPs seriam uma solução para o setor da saúde não só por resolver o problema da gestão, mas também o do financiamento, ao injetar recursos privados, parece ser uma grande falácia. Se os problemas começaram com a sistemática redução do financiamento da União para a saúde – DRU, pagamentos indevidos, redução da porcentagem do PIB –, comprometendo a gestão e a qualidade dos serviços públicos, a solução encontrada parece acentuar tais problemas.
Para ver se o fluxo de recursos caminha do privado para o público, como apregoado na PPP ou ao contrário, basta fazer um exercício e identificar que as empresas vencedoras das parcerias são também as principais financiadoras das campanhas políticas. Não por acaso, são também as principais beneficiárias de financiamento público subsidiado via BNDES, para o qual a União emite títulos públicos, aumentando a dívida pública e reduzindo a capacidade de financiamento dos sistemas universais de educação e saúde. Além disso, as beneficiárias das PPPs são isentas de contribuições que financiam a seguridade social, fechando-se assim o círculo.
Enfim, ao igualar o público e o privado em busca de crescente interação rumo a um projeto de nacionalização do sistema de saúde, o que se está fazendo é reduzir progressivamente o papel do Estado a financiador e comprador, o que seria decretar a morte progressiva do SUS.
Sonia Fleury é doutora em Ciência Política, professora titular da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape/FGV), onde coordena o Programa de Estudos da Esfera Pública (Peep), ex-presidente do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (Cebes) e membro da Plataforma Política Social – Agenda para o Brasil do Século XXI.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Caixa Único do SUS: Mania de Descumprir a Lei para a Ousadia de Cumprir a Lei.

 

 

 
 
Francisco R. Funcia (Economista, Mestre em Economia Política pela PUC-SP, Professor da USCS e Consultor da FGV e do CNS)
O objetivo deste texto é avaliar em caráter introdutório a criação do “Caixa Único do SUS” pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios em consonância com a legislação que rege a gestão financeira do Sistema Único de Saúde (SUS), de forma a centralizar os repasses oriundos da União e dos Estados para os Municípios. Para isso, a seção 1 contextualiza a discussão sobre o “excesso de regras” para esses repasses. A seção 2 trata do “excesso de regras” nos repasses financeiros enquanto fator que restringe a ação do formulador da política de saúde em âmbito local e a criação do “Caixa Único do SUS”. Por fim, são apresentadas as considerações finais.
  1. As “regras” na condução das políticas públicas na contramão da Constituição Federal de 1988
Quando o governo brasileiro recorreu ao FMI em 1998 diante da crise do “Plano Real”, mais uma vez submeteu a sociedade brasileira às condicionalidades exigidas por aquele organismo internacional como contrapartida para obtenção do auxílio financeiro pleiteado. Entre as condições estabelecidas, uma delas tratava da condução da política econômica segundo “regras” (fiscais e monetárias), o que tornou prioritário para todos os governos desde então[1] o cumprimento das metas de inflação e de superávit primário. Essa condição estava relacionada à inconsistência temporal das políticas discricionárias, em outros termos:
a) à falta de compromisso (com a posterior perda de credibilidade) dos formuladores de políticas econômicas em adotar medidas que após o simples anúncio já tenham surtido o efeito esperado pelo governo sobre as expectativas e o consequente processo de tomada de decisão do setor privado; e/ou
b) à necessidade dos governantes de atingir outros objetivos de curto prazo para atender às pressões políticos de grupos de interesse, periodicamente (a cada 4 anos) associados à obtenção de resultados eleitorais.
De certa forma, esse conceito adotado na formulação da política econômica também está presente no modelo de financiamento interno das políticas públicas no Brasil, que condicionam as transferências intergovernamentais da União para Estados e Municípios e dos Estados para os Municípios.
O “excesso de regras” para algumas das transferências intergovernamentais é totalmente contrário ao ditame constitucional, que reformulou a lógica das relações federativas a partir de 1988 e substituiu a subordinação hierárquica dos Municípios aos Estados e União, bem como dos Estados à União, que existia anteriormente pelo princípio da autonomia de cada esfera de governo no âmbito das competências constitucionalmente estabelecidas.
A Constituição Federal de 1988 priorizou a descentralização das políticas sociais como um dos meios para promover a reestruturação do Estado Brasileiro e garantir o exercício da cidadania por efetiva participação da sociedade na definição, na gestão e na fiscalização das ações derivadas de tais políticas, sendo que as experiências anteriormente implantadas pela área da saúde, no contexto da reforma sanitária, foram decisivas para essa nova formulação constitucional. Assim sendo, “excesso de normas” para o financiamento das políticas sociais, entre as quais, a política de saúde é incompatível com vários dos princípios constitucionais, como veremos a seguir.
A Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101/2000 - LRF), surgiu a partir das condições exigidas pelo Fundo Monetário Internacional para o “socorro” financeiro de 1998. Ela estabeleceu regras para o processo de execução orçamentária e financeira nas três esferas de governo que confrontaram com os dispositivos constitucionais citados anteriormente. Como por exemplo, priorizar: pagamento de juros e amortização da dívida diante da necessidade de limitação de gastos mesmo se a receita arrecadada estiver abaixo da previsão bimestral; limites e condições para os gastos de pessoal, necessidade de garantir a disponibilidade financeira para os compromissos assumidos nos dois últimos quadrimestres de mandato; definição de medidas e prazos para a recomposição dos limites e normas referentes aos gastos de pessoal, endividamento público, superávit primário.
Porém, como cerca de 2/3 das receitas municipais são constituídas de transferências intergovernamentais (recursos oriundos do Estado e da União), as regras estabelecidas pela LRF para a utilização de parte desses recursos “engessaram” e “engessam” ainda mais os gestores, tendo como referência a rigidez orçamentária a que essa esfera de governo está submetida.
Geralmente, a rigidez orçamentária é atribuída à existência das vinculações constitucionais que estabelecem percentuais de aplicação mínima para a saúde e educação, porém outros gastos também podem ser caracterizados como de aplicação constitucional obrigatória, como pagamento de folha de servidores e dos respectivos encargos trabalhistas, transferência financeira para a Câmara Municipal, serviço de iluminação pública, serviço de varrição e coleta de lixo, manutenção do viário, juros e amortização da dívida pública. Considerando todos os gastos obrigatórios, o poder discricionário dos gestores na livre definição das políticas públicas representa cerca de 10% das receitas para a maioria dos municípios brasileiros.
  1. A criação do “Caixa Único do SUS” na União, Estados e Municípios como meio de superar a mania de descumprir a lei (ou a ousadia para cumprir a lei, lema que continua cada vez mais atual) nas relações intergovernamentais: uma avaliação da proposta sob a ótica municipal
No âmbito das transferências da União para os municípios, vinculadas ao Sistema Único de Saúde, a modalidade fundo a fundo seria aquela pela qual os recursos seriam repassados de forma ágil e sem as exigências que caracterizam a modalidade convenial. É muito interessante ainda observar o elevado número de contas bancárias abertas para a movimentação financeira dos recursos que constituem o Fundo Municipal de Saúde, a maioria delas envolvendo ações vinculadas a uma mesma política, promovendo uma verdadeira irracionalidade administrativa e financeira no atendimento às necessidades da população. Desde que não sejam recursos de natureza convenial, cujas regras firmadas anteriormente precisam ser seguidas para a adequada prestação de contas, tais valores existentes nessas contas deveriam ser integralmente repassados para um “caixa único” do SUS (materializado pela abertura de uma conta única), para utilização em ações e serviços públicos de saúde respeitada o poder discricionário do gestor municipal na condução da política de saúde local.
Na verdade, com o advento da Portaria 204/2007 e da Portaria 837/2009, foram criados 6 “Blocos de Financiamento” – Atenção Básica, Média e Alta Complexidade, Vigilância em Saúde, Assistência Farmacêutica, Gestão e Investimento – em substituição a mais de uma centena daquelas “linhas específicas” de financiamento geradoras desse centenário número de contas bancárias.
Porém, mesmo com essa redução promovida pelos “Blocos de Financiamento”, restou mantida uma “memória de cálculo” dos resíduos de prestação de contas das antigas “linhas específicas” de financiamento, não sendo permitida a movimentação ou a comprovação do gasto na regra atualmente válida para o respectivo “Bloco”. A “rigidez da regra”, mesmo no novo contexto mais flexível, impede que o gestor use seu poder discricionário na condução da política de saúde na esfera municipal.
O controle da aplicação dos recursos oriundos das transferências fundo a fundo no âmbito do SUS não deveria ser feito pelo “extrato da conta bancária”, mas pelos registros da execução orçamentária nas dotações específicas e pela documentação de pagamento correspondente formada no mínimo pela nota fiscal e/ou recibo dos materiais e/ou serviços prestados com a atestação devida, caracterizando a liquidação da despesa, a certificação dessa liquidação pelo órgão de controle interno e/ou setor contábil e, após isso, a documentação do pagamento realizado. É importante destacar que esses registros da execução orçamentária e financeira precisam estar disponíveis nos Portais das Prefeituras em “tempo real” ou no máximo com um dia de defasagem, conforme disciplina Lei Complementar nº 131/2010.
Nessa direção, enquanto a execução orçamentária e financeira permitiria fiscalizar a correta a aplicação de cada “Bloco de Financiamento”, a conta única do “Caixa Único do SUS” permitiria fiscalizar de forma mais clara e direta se os recursos estão ingressando no valor certo e na data certa nos Municípios para a realização das despesas no tempo certo, garantindo ao gestor maior segurança no processo de realização da despesa pública e no atendimento às necessidades da população.
Estudos clássicos na área de gestão apontam para a formação de uma cultura tecnoburocrática no aparelho de Estado brasileiro, geralmente nas áreas de planejamento, orçamento e finanças, que ainda resiste em vários setores do governo federal em diferentes ministérios. Isso pode ser a explicação para a manutenção da cultura do “excesso de regras” como forma de combater eventuais desvios de finalidade na aplicação dos recursos, com o objetivo de facilitar a ação da fiscalização das auditorias e órgãos do controle externo, adotando como pressuposto que a “regra geral” dos gestores é cometer irregularidades com os recursos públicos.
A justificativa apresentada para a “rigidez das regras” é a necessidade de uniformizar procedimentos e dificultar a “burla”. Porém, ocorre exatamente o contrário: as regras rígidas” tendem a ser mais facilmente burladas por gestores corruptos, enquanto regras mais flexíveis dificultam as justificativas de práticas nocivas ao interesse público. Com isso, as “regras rígidas” tendem a nivelar no mesmo patamar os bons e maus gestores, criando na população a ideia de que não há diferença entre os gestores (ou entre as gestões).
Além disso, a “rigidez da regra” nos mecanismos de financiamento da política de saúde restabelece a dependência da esfera municipal de governo em relação às esferas estadual e federal, em franca oposição ao princípio da autonomia relativa no âmbito de suas competências estabelecido pela Constituição Federal de 1988.
É oportuno lembrar que os artigos 71 a 74 da Lei nº 4320/64, portanto, há quase 50 anos em vigor, tratou dessa questão, ao possibilitar a criação dos fundos especiais de despesas que vinculam determinadas receitas a determinados objetivos mediante criação de dotações específicas na Lei Orçamentária e demonstração da aplicação em balanços específicos. Os fundos de despesa permitem o monitoramento da efetiva aplicação desses recursos, no nosso caso, da saúde, sem excesso de burocracia, apesar das regulamentações recentes editadas pela Secretaria da Receita Federal e pelo Fundo Nacional de Saúde para os repasses aos Estados e Municípios (exigência de CNPJ próprio como matriz, etc.)
A discricionariedade do gestor municipal na condução da política de saúde não pode estar limitada pela forma de utilização financeira dos recursos oriundos de transferências intergovernamentais segundo as diferentes contas bancárias de ingresso, mas tão somente pelas politicas pactuadas (com metas de resultado) no âmbito das Comissões Intergestores Tripartite e Bipartite, devidamente deliberadas nos respectivos Conselhos de Saúde, tendo com referências, além da Constituição Federal, os princípios e diretrizes estabelecidos pela Lei nº 8080/90, Lei nº 8142/90 e Lei Complementar nº 141/2012.
  1. Considerações Finais
Portanto, a criação de um “Caixa Único do SUS” em cada esfera de governo como regra geral para a movimentação financeira dos recursos do SUS pelos respectivos Fundos de Saúde pode ser entendida como um meio eficaz de fortalecimento administrativo do processo de financiamento do SUS, porque a gestão financeira dos recursos deve ser entendida como um meio para se atingir os objetivos pretendidos, sempre na perspectiva da preservação do Erário e da garantia do interesse público.
A criação do “Caixa Único do SUS” e da “conta bancária única” para a movimentação financeira dos recursos oriundos das transferências segundo os 6 “Blocos de Financiamento” permitirá o controle mais eficiente da execução das políticas de saúde a partir dos registros da execução orçamentária e financeira.
Isso representará um importante avanço administrativo na perspectiva da garantia do interesse público, tendo em vista a racionalidade e celeridade que traria à gestão municipal, assim como para as gestões federal e estaduais, cuja auditoria poderá ser mais eficiente à medida que estaria mais focada na verificação do cumprimento das respectivas metas e resultados pactuados.
Privilegiar a modalidade fundo a fundo em relação à convenial é uma exigência legal (agora na Lei Complementar nº 141/2012), de modo que a movimentação financeira dos recursos do SUS deverá ocorrer exclusivamente por meio das “contas bancárias únicas” vinculadas aos respectivos “Caixas Únicos” dos Fundos de Saúde (Nacional, Estaduais e Municipais) para recepcionar os recursos oriundos das transferências intergovernamentais destinados ao Sistema Único de Saúde. Será uma exceção a abertura de outras contas (como por exemplo, para eventuais convênios e Termos de Cooperação Internacionais). Para tanto, será preciso resgatar a gênese legal dos Fundos de Despesa, bem como da modalidade de transferência fundo a fundo, com a revisão do “excesso de regras” que atualmente condiciona a aplicação eficiente desses instrumentos.
O estabelecimento de uma “conta bancária única” vinculada ao Fundo Municipal de Saúde facilitará a fiscalização dos recursos recebidos das outras esferas de governo, identificando em balancetes mensais a natureza do recurso recebido. Vale ressaltar que, no contexto legal da Lei Complementar nº 141, compete aos Conselhos de Saúde (Nacional e Estaduais) deliberar sobre os critérios a serem estabelecidos para essas transferências intergovernamentais (da União e dos Estados para os municípios), enquanto que os Conselhos Municipais de Saúde deverão ser informados pelos gestores federal e estaduais sobre esses repasses, bem como fiscalizarão a aplicarão desses recursos.
Desta forma, os gestores que repassarão os recursos deverão identificar claramente nas respectivas leis orçamentárias os valores e as finalidades das transferências segundo os diferentes programas (lembrando que na União essa identificação será feita de outra forma porque o novo formato do PPA descaracterizou os programas orçamentários), com as definições de prazos para os repasses submetidas aos respectivos Conselhos de Saúde, bem como transmitirão todas as informações desses repasses aos Conselhos de Saúde dos Municípios. Estes, por sua vez, poderão verificar o ingresso desses recursos centralizados na “conta bancária única” e acompanhar a execução orçamentária e financeira desses recursos concomitantemente aos indicadores da saúde da população, nos termos da Lei Complementar nº 141/2012.
As políticas pactuadas no âmbito das CIB’s e CIT, devidamente deliberadas pelos respectivos Conselhos de Saúde, deverão ser as referências básicas para a fiscalização dos recursos oriundos dessas transferências intergovernamentais segundo a finalidade de aplicação, redirecionando o foco das auditorias internas e dos órgãos de controle externo à qualidade das ações desenvolvidas à luz de resultados medidos por indicadores pactuados para esse fim. Com isso, inclusive, poderá ser avaliada a capacidade de gestão financeira dos recursos recebidos para o cumprimento dos objetivos de cada política pactuada para Atenção Básica, Média e Alta Complexidade, Assistência Farmacêutica, Vigilância Epidemiológica e Sanitária, entre outras.
Tais medidas de ordem administrativa e/ou interna não requerem mudança na legislação e simplificam o processo de fiscalização e monitoramento por parte dos Conselhos de Saúde, que poderão verificar com mais clareza a movimentação financeira dos recursos da saúde e cotejar com a respectiva execução orçamentária.
Esse cotejamento a ser realizado pelos Conselhos de Saúde da cada esfera de governo ocorrerá por meio dos programas orçamentários, que deverão expressar as políticas de saúde pactuadas, bem como monitorados e avaliados com base nos indicadores também pactuados para esse fim, inclusive em relação às respectivas ações orçamentárias. A implantação do “Caixa Único do SUS” em cada esfera de governo representará o fortalecimento do princípio do planejamento mediante a combinação de recursos próprios e de transferências intergovernamentais para se alcançar os objetivos e metas estabelecidas nos Planos de Saúde.
O respeito ao princípio da transparência será fortalecido com a adoção do “Caixa Único do SUS”. No âmbito municipal, essas informações de receitas e despesas deverão estar disponibilizadas nos respectivos portais da Prefeitura (e das esferas estadual e federal transferidora dos recursos) em “tempo real” (ou no máximo com um dia de defasagem). Afinal, o que é receita municipal de transferência intergovernamental é despesa registrada na esfera federal e estadual.
As despesas municipais realizadas com recursos oriundos dessas outras fontes também poderão ser acompanhadas em tempo real (empenhos e pagamentos realizados aos prestadores de serviços e fornecedores de materiais, além dos pagamentos de pessoal e outras despesas), bem como a movimentação financeira do respectivo Fundo de Saúde (agora numa única conta bancária) deverá ser disponibilizada diariamente nos boletins da Tesouraria.
Evidentemente que essas mudanças propostas respeitam o caráter discricionário da política de saúde a ser conduzida por cada gestor, sempre limitada pelos princípios constitucionais e legais que regem o SUS, devidamente pactuadas nas CIB’s e CIT e deliberadas nos respectivos Conselhos de Saúde. Em outros termos, respeitará o princípio constitucional da autonomia relativa entre as três esferas de governo, bem como respeita as diferenças entre os ritmos de execução da despesa pública em função do planejamento e/ou das necessidades específicas de cada local.
Por fim, essas mudanças permitirão evidenciar as diferenças qualitativas na condução da política de saúde entre os gestores, contribuindo para o processo político mais geral voltado para uma reforma do Estado brasileiro, na perspectiva do aprofundamento da descentralização das políticas públicas com capacidade de financiamento e da participação da sociedade prevista pela Constituição Federal de 1988.


[1] A partir de meados do 2º mandato do governo Lula e do atual mandato do governo Dilma, houve alguma flexibilização na forma da condução da política econômica, com a introdução de outras prioridades a serem contempladas, entre as quais, o crescimento econômico, a redução da extrema pobreza, o fortalecimento do mercado interno, o aumento do emprego formal e da renda da população.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Mais algumas considerações sobre as propostas de governo do candidato Kennedy Nunes - segunda parte


Vou arriscar mais algumas análises quanto a outras propostas do Programa de Governo do candidato Kennedy Nunes para o município de Joinville. Nunca é demais lembrar que estaremos elegendo no próximo dia 28 de outubro, alguém que deve ADMINISTRAR de forma séria e competente uma empresa que possui 525.000 sócios proprietários, pois essa é a população oficial de Joinville, e como cidadão, entendo que todos somos sócios-proprietários dessa empresa chamada JOINVILLE. E não esqueçam.....esse mandado vai durar 4 anos, portanto temos que ter muito cuidado e carinho na hora de escolher o administrador para a nossa empresa. Lendo o conjunto das propostas encontradas no site oficial do candidato, fui obrigado a achar que aquelas propostas não foram escritas por ele, pois muitas delas são de uma superficialidade que é muito difícil acreditar que estão num plano de trabalho para ser executada no maior município do Estado de Santa Catarina, o terceiro maior do SUL DO BRASIL. Vamos a algumas delas que considero muito simplórias, mas sou obrigado a ser exigente, pois é em Joinville que vivo e quero o melhor para mim, minha família e todos que aqui moram ou passam diariamente por nossa cidade.

1 – Criar programa de capacitação para nossos professores. Pergunto: será que nenhum prefeito ou secretário de educação que passaram nesses últimos anos não pensou nisso?  Se isso já não é prática comum dentro da Prefeitura de Joinville, realmente Joinville não merece todos os prêmios que recebeu ao longo desses últimos anos, ou foi por pura SORTE. Claro que se Joinville vem se destacando no cenário nacional no item educação, é porque a equipe de professores e demais membros da educação, estão capacitados, E MUITO CAPACITADOS diga-se de passagem, precisando apenas, como qualquer profissional, de atualização e aperfeiçoamento contínuos em sua área. Agora dizer que o candidato vai CRIAR PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO PARA OS PROFESSORES, é demais para nossa inteligência.

2 – Criar um Núcleo de Controle de Tráfego auxiliando a fluidez do trânsito. Essa é mais uma proposta de quem parece não conhecer a estrutura da Prefeitura de Joinville, ou o recém aprovado ITRAN ( Instituto de Trânsito e Transporte de Joinville ) não tem essa competência? Será que estou tão enganado com os objetivos da antiga CONURB, agora ITTRAN???

3 – Modernizar os pontos de ônibus, oferecendo abrigos mais confortáveis e informações úteis.  Não vejo relevância significativa nessa proposta de trabalho para ser apresentada como parte do programa de trabalho do nosso futuro prefeito. Isso é tão óbvio que não devia ter sido escrito.  Do mesmo modo é inaceitável, encontrar no programa do candidato, que ele vai REESTUDAR O POSICIONAMENTO DAS FAIXAS DE PEDESTRES E ZELAR PELA MANUTENÇÃO DAS PONTES E VIAS PAVIMENTADAS. Uau!!!! O que significa isso ??  Se estivéssemos brincando de Prefeito-Mirim, até aceitaria essas propostas, pois são de uma infantilidade inacreditável para qualquer gestor que pensa grande.

4 – “Apoiar material” ( é assim mesmo que está escrito no site do candidato, não foi meu erro de digitação ) a Polícia Militar, Polícia Civil e Ambiental e o Corpo de Bombeiros: o candidato deve saber que tanto a Polícia Civil, quanto a Polícia Militar, assim como a Polícia Ambiental, são de competência do Governo do Estado e não do Prefeito Municipal. Vamos apoiar ou vamos exigir para que quem deve garantir o bom funcionamento dessas importantes corporações na área de segurança, garanta, e não assumindo mais responsabilidades nessa área. ? Quanto aos Bombeiros não vejo problemas, mas a forma como se redige o texto, APOIAR MATERIAL, fica muito vaga e sem nexo. Pergunto: Apoiar com que e como? Falta clareza no texto.

5 – Ser eficiente na limpeza dos rios e córregos. Senhor candidato, o senhor tem que ser eficiente não só na limpeza de rios e córregos, mas em todos os sentidos dentro do Serviço Público. Digo isso porque sou funcionário público há mais de 25 anos e busco incessantemente em minha prática diária, honrar o salário que recebo da população. Portanto, esse deve ser nosso lema diuturnamente.

6 – Implantar sub-prefeituras. Pergunto: qual a diferença na prática das sub-prefeituras e das Secretarias Regionais atualmente existentes? Se as mesmas não possuírem condições de mínimas para trabalhar, não é mudando de sigla que a realidade vai melhorar. Elas precisam sim de condições para garantir por exemplo a terraplenagem das ruas que exigem esse tipo de ação, pessoal em número suficiente para a manutenção dos equipamentos públicos existentes em sua área de abrangência tipo praça, córregos, bueiros, riachos, etc. E não é mudando de nome que a solução de forma mágica vai aparecer.

7 – Gratuidade no transporte público para maiores de 60 anos. A Prefeitura vai pagar a gratuidade e os descontos garantidos por lei, valores hoje que são acrescentados no preço da passagem. Considero essa proposta como de cunho politiqueiro, e digo porquê. Já no século XIX, Milton Friedman, nobel de economia, já dizia...NÃO EXISTE ALMOÇO GRÁTIS. Isso quer dizer, nada sai de graça, alguém paga, e quando o candidato afirma que a Prefeitura vai pagar essa gratuidade, não devemos esquecer que quem injeta dinheiro na Prefeitura somos todos nós, cidadãos joinvilenses. Sendo assim todo mundo acaba pagando a diferença. O recurso da prefeitura é igual a coberto de pobre, se cobrir a cabeça, descobre os pés.

8 – Implantar no Sistema de Saúde, a especialidade de HEBIATRIA. Meu Deus...mais uma de quem não conhece o Sistema Único de Saúde ( SUS ) de Joinville. Em poucas e rápidas palavras, essa especialidade já é oferecida há mais de 3 anos no Hospital Materno Infantil Dr. Jeser Amarante Faria. Realmente, quem propõem uma coisa dessas não conhece o sistema de saúde de Joinville. O candidato está convidado a conhecer o hospital de excelência que está se tornando o Infantil de Joinville.

9 - E para finalizar essa análise, temporariamente, pois as propostas do candidato Kennedy são muitas, e todas elas merecem um olhar mais crítico, até para não embarcarmos numa aventura, pois quem vai sair perdendo somos nós mesmos. Vamos falar um pouco sobre a proposta que vem mais causando expectativa na população em geral. Falo da proposta de IMPLANTAR O PROGRMA REMÉDIO EM CASA. Essa proposta precisa ser bem esclarecida até porque não devemos esquecer que remédio não é brinquedo, e como todos sabemos pode trazer benefícios, como também pode trazer sérios problemas. Penso que o ato puro e simples de entregar o medicamento em casa para usuários especiais, não garante melhoria na assistência de saúde de forma nenhuma. Considero apenas uma proposta de caráter populista e assistencialista. Muito mais importante do que levar o remédio em casa é garantir o acesso ( não deixar faltar ) de todos os medicamentos constantes na Relação Municipal de Medicamentos nos Postos de Saúde, e além do mais, contratar profissionais farmacêuticos para atuar nessas unidades, pois só assim poderemos afirmar que o remédio prescrito pelos médicos está realmente sendo utilizado de forma adequada e surtindo o efeito esperado. Não é com o moto-boy levando o remédio em casa que se garante qualidade. Aproveito para lembrar que em contato com o Coordenador Nacional de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, ficamos sabendo que não existe nenhuma diretriz e nem ajuda financeira do Ministério nesse sentido, e que essa prática já está sendo questionada dentro do Conselho Nacional de Saúde em função de vários problemas que já ocorreram em alguns municípios do Brasil onde esse projeto foi implantado. E ele afirma mais, que essa proposta tem um caráter eminentemente político e não técnico.

Enfim....ainda tenho muito a comentar sobre as propostas do candidato Kennedy Nunes, mas vou deixar para os próximos dias. Entendo que no segundo turno das eleições municipais precisamos mais do que no primeiro turno, avaliar de forma esmiuçada, as proposta dos candidatos concorrentes, e para mim, as melhores propostas ainda são as do UDO DOHLER - 15, em especial as relativas a área da saúde, pois conheço a qualidade dos profissionais que ajudaram a escreve-las, todos servidores de carreira de longa data dentro da Secretaria de Saúde de Joinville, e comprometidos com o fortalecimento do SUS e conhecedores profundos desse sistema !!!!